Do Post Secret26.11.09
21.11.09
Vício
Coisa boa ter um vício. Daqueles bem filhos-da-mãe, que você sabe que podia ter evitado, mas quis mais foi correr pra ele de braços abertos, daqueles que não adianta tentar se livrar.
E é isso, está feito. Você devia ter pensado melhor antes de ser tudo isso que é. E tá combinado, eu vou aparecer uma hora e vou precisar ir embora, mas eu volto na outra.
Alguém devia ter avisado os nossos vícios que eles são os que mais se ferram nessa história.
E é isso, está feito. Você devia ter pensado melhor antes de ser tudo isso que é. E tá combinado, eu vou aparecer uma hora e vou precisar ir embora, mas eu volto na outra.
Alguém devia ter avisado os nossos vícios que eles são os que mais se ferram nessa história.
1.11.09
26.10.09
18.10.09
17.10.09
Vícios de um ano mal-dormido
Tenho vícios. Tenho alimentado-os declaradamente, mentindo para mim mesma. Eles crecem fácil, a olhos vistos, e tornam-se mais fortes a cada dia. Finjo não vê-los, mas às vezes seu tamanho inevitavelmente me chama a atenção.
Tem sido fácil, eu bem sei. É fácil matar ideias novas antes do parto. É fácil virar os olhos para as cores que eu nunca vi antes. E é fácil não marcar na agenda os eventos que realmente interessam. Tem essa coisa, essa coisa grande e estúpida, ocupando lugar na minha cabeça desde o começo do ano, e ela me fala, Mari, faz somente o necessário. O inadiável. O que precisa mesmo ser feito. O que importa.
O que importa?
De que me importam milhões de textos sobre coisas que aconteceram há tanto tempo que não temos mais testemunhas delas e só o que podemos fazer é especular em cima? Entrevistas e matérias de um projeto que já não fala mais comigo? Textos inacabados que não se ajeitam por vícios incontroláveis da minha gramática capenga? De que me importam todas essas coisas que não mexem comigo diretamente?
Eu quero um sossego merecido, tardes frias embaixo da coberta ao lado de gente com quem posso ser ridícula, talvez até aproveitar os traços novos e magros que o ano me trouxe, olhar para um quadro e não precisar escrever nada sobre ele, um silêncio profundo e que não exige maquiagem, bons modos e razão, encontros e conversas que me façam pensar o que eu nunca pensei antes, gente interessante que me dê vontade de fazer mais, coisas que me dêem vontade de fazer coisas!
Chega de ser um robozinho, Mari. Você fez tanta tarefa difícil até agora que se esqueceu da mais difícil de todas: criar. E pra isso não tem outra receita que não abrir os olhos. Você está ficando cega de vontades, tem respondido mecanicamente e nem sabe mais ao quê. Já te contei também: o difícil é o primeiro passo.
Agora pára de viajar, vai lá e faça.
Tem sido fácil, eu bem sei. É fácil matar ideias novas antes do parto. É fácil virar os olhos para as cores que eu nunca vi antes. E é fácil não marcar na agenda os eventos que realmente interessam. Tem essa coisa, essa coisa grande e estúpida, ocupando lugar na minha cabeça desde o começo do ano, e ela me fala, Mari, faz somente o necessário. O inadiável. O que precisa mesmo ser feito. O que importa.
O que importa?
De que me importam milhões de textos sobre coisas que aconteceram há tanto tempo que não temos mais testemunhas delas e só o que podemos fazer é especular em cima? Entrevistas e matérias de um projeto que já não fala mais comigo? Textos inacabados que não se ajeitam por vícios incontroláveis da minha gramática capenga? De que me importam todas essas coisas que não mexem comigo diretamente?
Eu quero um sossego merecido, tardes frias embaixo da coberta ao lado de gente com quem posso ser ridícula, talvez até aproveitar os traços novos e magros que o ano me trouxe, olhar para um quadro e não precisar escrever nada sobre ele, um silêncio profundo e que não exige maquiagem, bons modos e razão, encontros e conversas que me façam pensar o que eu nunca pensei antes, gente interessante que me dê vontade de fazer mais, coisas que me dêem vontade de fazer coisas!
Chega de ser um robozinho, Mari. Você fez tanta tarefa difícil até agora que se esqueceu da mais difícil de todas: criar. E pra isso não tem outra receita que não abrir os olhos. Você está ficando cega de vontades, tem respondido mecanicamente e nem sabe mais ao quê. Já te contei também: o difícil é o primeiro passo.
Agora pára de viajar, vai lá e faça.
15.10.09
21.8.09
30.7.09
Falhas
Meus caros, falhamos. Vejam como é docemente terrível a nossa situação. Essa vontade insuportavelmente idiota de querer alguém não é ventura fácil. Não aleguem não saber da verdade, não são poucos os que dela nos avisam. Nada rara é a literatura sobre o tema - e vocês sabem que ela não é a única arte a retratá-lo. Tanto é dito sobre o encontro com outro ser quanto o mais prudente ser realmente evitá-lo. E não é que cá estamos novamente: eu, escrevendo mais e mais ladainhas sobre o mesmo assunto, e não deve surpreender que o que me motiva é mais um caso desse mesmo evento; vocês, perdendo um tempo precioso de estudo, diversão e coçadas de saco, lendo as baboseiras que disparo sem muito refletir. Só pode ser o sinal da nossa tão grande falha: continuamos correndo atrás é de sarna para nos coçar.
Parecemos loucos, eu sei. Apenas vemos ao longe uma grande cilada assomando, e parece que corremos ao seu encontro, cada vez mais vigorosamente conforme ela se revela maior. A gente quer ver é o circo pegar fogo, a merda chegar no ventilador, o pé vertiginosamente enfiado na jaca, e ouvir de nós mesmos aquela sempre enérgica e nunca exagerada constatação: "Agora fodeu!".
Masoquistas? Não sei, digo que preferimos as emoções fortes, e nisso não podem discordar de mim. Não pretendo criar um tratado sobre isso, Deus e meus professores sabem que eles seriam úteis, mas não eficazes, nem quero versar só para preencher este espaço cada vez mais vazio. Entendam, o bicho me mordeu. Agora eu quero morder de volta. Em exercícios de estilo arrogantes e pomposos, eu bem sei, mas é só de palavras que disponho no momento.
Grande erro, porém, o meu. Constato a falha, mas nem de longe proponho alguma solução. Não mentirei dizendo que não gostaria de uma. Mas aceito sua não-existência, e por ora volto a alguns devaneios e ruas sem saída, eternamente admirada dessa capacidade de criar redemoinhos e que nunca decepciona.
Parecemos loucos, eu sei. Apenas vemos ao longe uma grande cilada assomando, e parece que corremos ao seu encontro, cada vez mais vigorosamente conforme ela se revela maior. A gente quer ver é o circo pegar fogo, a merda chegar no ventilador, o pé vertiginosamente enfiado na jaca, e ouvir de nós mesmos aquela sempre enérgica e nunca exagerada constatação: "Agora fodeu!".
Masoquistas? Não sei, digo que preferimos as emoções fortes, e nisso não podem discordar de mim. Não pretendo criar um tratado sobre isso, Deus e meus professores sabem que eles seriam úteis, mas não eficazes, nem quero versar só para preencher este espaço cada vez mais vazio. Entendam, o bicho me mordeu. Agora eu quero morder de volta. Em exercícios de estilo arrogantes e pomposos, eu bem sei, mas é só de palavras que disponho no momento.
Grande erro, porém, o meu. Constato a falha, mas nem de longe proponho alguma solução. Não mentirei dizendo que não gostaria de uma. Mas aceito sua não-existência, e por ora volto a alguns devaneios e ruas sem saída, eternamente admirada dessa capacidade de criar redemoinhos e que nunca decepciona.
5.7.09
26.6.09
14.6.09
Caetano
Caetano, você é lindo. Você tem 66 anos e está tocando para um Credicard Hall cheinho, dispensando os lugares das arquibancadas superiores. Você acabou de lançar Zii e Zie, não parou no tempo nem descansou nos louros de outrora. Você encanta a gente de um palco simples, com um telão e uma asa delta atrás – um é para nos colocar no clima com imagens de praias e da Lapa, o outro é pra simbolizar o vôo tranqüilo e sem pressa que você faz na música.
Você não é egocêntrico como eu sempre achei que fosse! Não, senhor, você apresenta a banda antes da quinta música, e outra vez pouco antes do final, e até sai de lado enquanto deixa para os músicos a luz dos holofotes e os olhos da platéia. Mas você sabe que estamos lá por você, e confirma isso enquanto te ouvimos calados dedilhar no violão histórias sobre o carnaval, a Bahia e a saudade; os discípulos sentados no palco atrás de você, como meninos escutando o professor. E tudo isso só para que depois nós, o público maravilhado, explodamos em aplausos e admiração.
Você usa todos os timbres da voz – o meu preferido é o mais agudo, é quando você é mais Caetano. Quando canta com as mãos e gesticula em movimentos contidos, a gente sabe que você pode ir mais, que dançaria e cantaria mais rápido e mais alto. Mas então não seria você. Você erra a letra e ri, não disfarça, faz graça.
Você brinca com as letras, Caetano, que coisa linda! E nem precisa de muitas delas para me falar de Guantánamo, quando canta recitando em prosa, torna o nome da prisão um palavrão, e é por demais forte simbolicamente para eu não me abalar.
Ora, você sabe que a arte e o mundo não acabam em você. E então admite que Lobão tem razão, e pergunta à sua irmã, are things getting better, better, better, Bethânia? Você nos faz silenciar enquanto homenageia Boal, apesar das divergências nítidas, você sublinha, e então resgata “Irene”. Ah, Caetano, por que você quis me fazer chorar com “Volver”? Por que fez questão de colocá-la num arranjo mais moderno e arrojado, cantá-la com o sotaque abrasileirado? E o que foi aquele momento em que você foi mais Carmen Miranda, enquanto se perguntava se era neguinha? Você é neguinho, Caetano, mas nunca pare de se perguntar e cantá-lo pra gente.
Mas hoje, a gente sabe e você sabe, você é o centro das atenções. Leonino, você rebola e quer ser fotografado. Mas eu vi, Caetano, eu senti, quando cheguei perto do palco com um monte de gente, que a gente queria te ver de perto, estar a poucos metros de um artista; eu senti a bronca que você me deu com os olhos, dizendo “Páre de fotografar, você tem é que ouvir”. E então você encerra tudo lembrando Roberto Carlos, os instrumentos silenciam e a gente canta com você, é uma força estranha no ar, a sensação e o medo estúpido de estar cantando como se estivéssemos numa igreja.
Não sei dizer o quanto o público se decepcionou por não ouvir as antigas. Eu, secretamente e sem esperança, torcia para te dar um lapso desses que ocorrem em artistas e você de repente querer cantar “Tropicália”. Se você cantasse “Nosso Estranho Amor”, “Não Enche”, “Clarice”, eu seria a pessoa mais feliz na platéia! Mas você não se importou com o que o público queria. Te admiro por isso, Caê. Você sabe que o artista não se prende às glórias passadas. Você sabe que o artista tem que se arriscar. Mas você não faz isso porque te ensinaram que tem que ser assim, não. Você faz porque simplesmente tem que fazer, tem que se renovar; se não, qual seria o sentido disso tudo? Hoje você consolida, não destrói.
Eu não me importaria com a vontade do público também, Caetano. Você disse que o negócio é São Paulo, cada vez mais, mas quem tava lá na sexta era São Paulo? Não desista de tocar no Studio SP, Caê. Seria lindo ter Caetano Veloso lá, o antigo e o novo, tudo junto, como você mostrou pra gente há mais de quarenta anos. Eu sou anacrônica, Tropicália, 1968, piti no Tuca, é o que conheço de você. Mas combinemos, Caetano, eu não vou parar por aí, e nem você.
Você não é egocêntrico como eu sempre achei que fosse! Não, senhor, você apresenta a banda antes da quinta música, e outra vez pouco antes do final, e até sai de lado enquanto deixa para os músicos a luz dos holofotes e os olhos da platéia. Mas você sabe que estamos lá por você, e confirma isso enquanto te ouvimos calados dedilhar no violão histórias sobre o carnaval, a Bahia e a saudade; os discípulos sentados no palco atrás de você, como meninos escutando o professor. E tudo isso só para que depois nós, o público maravilhado, explodamos em aplausos e admiração.
Você usa todos os timbres da voz – o meu preferido é o mais agudo, é quando você é mais Caetano. Quando canta com as mãos e gesticula em movimentos contidos, a gente sabe que você pode ir mais, que dançaria e cantaria mais rápido e mais alto. Mas então não seria você. Você erra a letra e ri, não disfarça, faz graça.
Ora, você sabe que a arte e o mundo não acabam em você. E então admite que Lobão tem razão, e pergunta à sua irmã, are things getting better, better, better, Bethânia? Você nos faz silenciar enquanto homenageia Boal, apesar das divergências nítidas, você sublinha, e então resgata “Irene”. Ah, Caetano, por que você quis me fazer chorar com “Volver”? Por que fez questão de colocá-la num arranjo mais moderno e arrojado, cantá-la com o sotaque abrasileirado? E o que foi aquele momento em que você foi mais Carmen Miranda, enquanto se perguntava se era neguinha? Você é neguinho, Caetano, mas nunca pare de se perguntar e cantá-lo pra gente.
escrito por
Mariana Pasini
às
09:31
tags
caetano,
elogio ou tietagem,
música,
verborragia
7.6.09
Quarto de princesa
Gente, mais um! Deve até dar vontade de acordar com a luz entrando por essas cortinas, não? E esse edredon, que graça.Ok, então, acabei de criar mais uma tag aqui... Se alguém mais quiser colaborar, está mais do que bem vindo...
Mais uma vez, a dica é do Apartment Therapy.
escrito por
Mariana Pasini
às
15:14
Aleatórias de domingo
Pra começar bem a semana, imagens bacanas vistas por aí...
Essas bolinhas, feitas de madeira, são criação de Nathalie Costes. Além de proteger os cabos de um curto circuito, fica uma graça, não? Do Apartment Therapy.
E essa escada de metal dobrado? O nome não podia ser mais adequado: Ribon Stairs, ou Escada de Fita. Do HSH Architects, tirado também do AT.
Essas bolinhas, feitas de madeira, são criação de Nathalie Costes. Além de proteger os cabos de um curto circuito, fica uma graça, não? Do Apartment Therapy.E essa escada de metal dobrado? O nome não podia ser mais adequado: Ribon Stairs, ou Escada de Fita. Do HSH Architects, tirado também do AT.
25.5.09
Falar dos outros
Eu não quero escrever sobre os círculos viciosos que me habitam. Não quero deixar sinais indecifráveis para que as pessoas sigam. Nem mensagens codificadas para que os homens saibam como me magoam. Eu não quero escrever para que se identifiquem, para que olhem e se reconheçam nas minhas palavras capengas.
Eu quero contar dos outros. Os outros, esses seres que tanto me ajudam e tanto me atrapalham. Ouvir pessoas. Ouvir até não poder mais. Encher os ouvidos e as paciências com as ladainhas e histórias que têm para contar. Ouvi-las as razões e o que sentem, fazer as pontes, mostrar as conexões, fazê-los chorar com o que passa todo dia aos seus olhos mas que eles nunca tiveram tempo de olhar.
O que é que eu tenho para oferecer? As histórias dos outros.
Não é falsa modéstia.
Eu preciso sair de mim. Foram longos e difíceis pensamentos suprainternos, que davam voltas em si mesmos e chegavam de novo, e sempre, à mesma linha de largada. Olhei para eles com tristeza e submissão, e declarei: "Vocês não me servem".
Agora, preciso deixar os olhos mais abertos.
Eu quero contar dos outros. Os outros, esses seres que tanto me ajudam e tanto me atrapalham. Ouvir pessoas. Ouvir até não poder mais. Encher os ouvidos e as paciências com as ladainhas e histórias que têm para contar. Ouvi-las as razões e o que sentem, fazer as pontes, mostrar as conexões, fazê-los chorar com o que passa todo dia aos seus olhos mas que eles nunca tiveram tempo de olhar.
O que é que eu tenho para oferecer? As histórias dos outros.
Não é falsa modéstia.
Eu preciso sair de mim. Foram longos e difíceis pensamentos suprainternos, que davam voltas em si mesmos e chegavam de novo, e sempre, à mesma linha de largada. Olhei para eles com tristeza e submissão, e declarei: "Vocês não me servem".
Agora, preciso deixar os olhos mais abertos.
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